Hoje eu quero falar sobre a nova mulher. A mulher do século XXI.
Essa nova mulher não se casa jovem. Às vezes, nem mesmo se casa. Apenas “junta os trapinhos”, como disse uma amiga minha, outro dia mesmo. Ela me disse: “Eu e meu noivo vamos juntar os trapinhos, apareça lá em casa para uma pizza”.
Essa nova mulher tem filhos tarde, lá por volta dos trinta e cinco anos. Não é raro ver grávidas de quarenta anos, nos consultórios médicos e nas ruas.
Vivemos atualmente em um patamar de conforto inimaginável, para as mulheres do início do século passado. Pense bem: você vive mais confortavelmente e com muito mais conforto e luxo do que viveu o Imperador D. Pedro I.
Nós, as mulheres, temos à nossa disposição produtos de beleza, roupas, sapatos, alimentos, lazer, mil vezes mais que a coitada da Imperatriz Dona Leopoldina, que morreu, aos vinte e oito anos de idade, de complicações de parto, quando deu a luz ao seu sétimo filho.
Então, não estou exagerando quando digo que hoje, qualquer cidadão de classe média tem a vida de um rei.
Mas...o que está acontecendo com a humanidade, o que está acontecendo com as crianças?
Por que será que nós, os seres humanos, não estamos sabendo lidar com a liberdade de escolha?
OK, concordo que é maravilhoso a mulher ter se emancipado, eu mesma me considero uma pessoa emancipada. Trabalho desde os quatorze anos. Nunca fui um peso para meu marido.
No entanto quando meus filhos eram pequenos eu soube parar no momento certo.
Fiquei vários anos em casa, sendo apenas mãe. Foram anos difíceis, pois vivíamos apenas com o salário do meu marido. E afinal eram três crianças para criar.
Aprendi a costurar, aprendi a cozinhar, aprendi a congelar. Até pão eu sabia fazer em casa. Pães deliciosos, roscas, panetones.
Fiquei vários anos em casa, sendo apenas mãe. Foram anos difíceis, pois vivíamos apenas com o salário do meu marido. E afinal eram três crianças para criar.
Aprendi a costurar, aprendi a cozinhar, aprendi a congelar. Até pão eu sabia fazer em casa. Pães deliciosos, roscas, panetones.
As minhas filhas, hoje adultas, sempre comentam que hoje elas percebem o quanto eu era moderna e cuidadosa, pois em nossa casa, todos os dias, havia sucos naturais, à mesa. Eu só permitia refrigerantes aos domingos. Eram sucos naturais e feitos não hora!
Graças a Deus, e a minha boa estrela, eu tive a lucidez de parar de trabalhar por alguns anos.
Confesso que algumas vezes, batia uma certa tristeza. Mas eu, nessas horas, escrevia uma peça de teatro para as crianças apresentarem na igreja, entrava em um curso de artesanato, visitava um carente, no hospital ou na favela, escrevia um poema. E a tristeza passava.
E assim foi: quando as crianças cresceram eu tirei o pó do meu diploma, botei debaixo do braço e fui à luta, de novo. Fui aprovada no primeiro concurso que fiz, e voltei à ativa, até hoje, quando estou no limiar da aposentadoria.
Sim, eu sei que hoje quase metade das famílias tem a mãe como arrimo. São elas que trazem o sustento para dentro de casa. Mas não falo dessas heroínas, essas valentes mulheres. Elas não têm escolha.
Eu quero falar da mulher classe média, aquela que possui dois carros na garagem...casa de praia...viaja todo ano. Tem roupas e sapatos a mais do que precisa. Essa mulher, além de tudo, também quer ser mãe. Então, minha gente, cuidado...
O dinheiro não é tudo. Pensem na responsabilidade de colocar um filho no mundo.
O nível de fertilidade feminina está baixando, no mundo todo. E as mulheres têm sofrido mais abortos naturais do que antes. O organismo da mulher talvez não tenha sido feito para suportar tanta agressão. Talvez Deus tenha feito a mulher para uma vida não de ócio, mas de uma serenidade maior.
O mercado de trabalho é competitivo, é cruel. Um tem inveja do outro, um quer derrubar o outro.
Nem sempre quem trabalha mais é aquele que recebe a maior recompensa. Existe aquela filosofia podre: “Temos que almoçar fulano para que ele não me jante”.
E os filhos? Onde ficam os filhos?
Babás, creches...Algumas mães aproveitam os momentos livres, que são poucos, para ir malhar, pois precisam estar bonitas, pra não perder os maridos, elas dizem.
E os filhos? Babás, babás...
Leio nos jornais a triste notícia de uma mãe, de quarenta anos, que, após gozar os seis meses de licença maternidade, estava voltando ao trabalho.
De forma alguma quero julgar essa pobre moça. Ela já está sofrendo demais.
Estou apenas tentando analisar os fatos.
Nos jornais, eu vi o carro da moça. É um bom carro. A cadeirinha do bebê, era uma excelente cadeira. O carrinho, lindo. Enfim, não estamos falando de uma favelada, arrimo de família. Estamos falando de uma mulher da classe média.
Voltava ao trabalho...Talvez com a cabeça cheia de planos, ou compromissos, ou pensando no que ia fazer, no retorno. Pensava talvez em se empenhar mais, mostrar mais serviço, etc, etc, etc.
Ela esqueceu o mais importante: esqueceu o seu bem mais precioso.
Ia levar o bebê à creche, e se esqueceu. Deixou lá, o pacotinho, preso no carro e no calor.
Que Deus tenha piedade dessa moça, e que ela se recupere logo, psicologicamente.
E que Deus abra os olhos de outras mulheres.
Mãe, quando você puder, dê um tempo maior para seus filhos.
Lembre-se: um emprego, você sempre vai conseguir outro, mas um filho, esse nada o trará de volta!
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texto M. das Neves
foto internet
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