quinta-feira, 19 de novembro de 2009




Hoje eu quero falar sobre a nova mulher. A mulher do século XXI.
Essa nova mulher não se casa jovem. Às vezes, nem mesmo se casa. Apenas “junta os trapinhos”, como disse uma amiga minha, outro dia mesmo. Ela me disse: “Eu e meu noivo vamos juntar os trapinhos, apareça lá em casa para uma pizza”.
Essa nova mulher tem filhos tarde, lá por volta dos trinta e cinco anos. Não é raro ver grávidas de quarenta anos, nos consultórios médicos e nas ruas.
Vivemos atualmente em um patamar de conforto inimaginável, para as mulheres do início do século passado. Pense bem: você vive mais confortavelmente e com muito mais conforto e luxo do que viveu o Imperador D. Pedro I.
Nós, as mulheres, temos à nossa disposição produtos de beleza, roupas, sapatos, alimentos, lazer, mil vezes mais que a coitada da Imperatriz Dona Leopoldina, que morreu, aos vinte e oito anos de idade, de complicações de parto, quando deu a luz ao seu sétimo filho.
Então, não estou exagerando quando digo que hoje, qualquer cidadão de classe média tem a vida de um rei.
Mas...o que está acontecendo com a humanidade, o que está acontecendo com as crianças?
Por que será que nós, os seres humanos, não estamos sabendo lidar com a liberdade de escolha?
OK, concordo que é maravilhoso a mulher ter se emancipado, eu mesma me considero uma pessoa emancipada. Trabalho desde os quatorze anos. Nunca fui um peso para meu marido.
No entanto quando meus filhos eram pequenos eu soube parar no momento certo.
 Fiquei vários anos em casa, sendo apenas mãe. Foram anos difíceis, pois vivíamos apenas com o salário do meu marido. E afinal eram três crianças para criar.
Aprendi a costurar, aprendi a cozinhar, aprendi a congelar. Até pão eu sabia fazer em casa. Pães deliciosos, roscas, panetones.
As minhas filhas, hoje adultas, sempre comentam que hoje elas percebem o quanto eu era moderna e cuidadosa, pois em nossa casa, todos os dias, havia sucos naturais, à mesa. Eu só permitia refrigerantes aos domingos. Eram sucos naturais e feitos não hora!
Graças a Deus, e a minha boa estrela, eu tive a lucidez de parar de trabalhar por alguns anos.
Confesso que algumas vezes, batia uma certa tristeza. Mas eu, nessas horas, escrevia uma peça de teatro para as crianças apresentarem na igreja, entrava em um curso de artesanato, visitava um carente, no hospital ou na favela, escrevia um poema. E a tristeza passava.
E assim foi: quando as crianças cresceram eu tirei o pó do meu diploma, botei debaixo do braço e fui à luta, de novo. Fui aprovada no primeiro concurso que fiz, e voltei à ativa, até hoje, quando estou no limiar da aposentadoria.
Sim, eu sei que hoje quase metade das famílias tem a mãe como arrimo. São elas que trazem o sustento para dentro de casa. Mas não falo dessas heroínas, essas valentes mulheres. Elas não têm escolha.
Eu quero falar da mulher classe média, aquela que possui dois carros na garagem...casa de praia...viaja todo ano. Tem roupas e sapatos a mais do que precisa. Essa mulher, além de tudo, também quer ser mãe. Então, minha gente, cuidado...
O dinheiro não é tudo. Pensem na responsabilidade de colocar um filho no mundo.
O nível de fertilidade feminina está baixando, no mundo todo. E as mulheres têm sofrido mais abortos naturais do que antes. O organismo da mulher talvez não tenha sido feito para suportar tanta agressão. Talvez Deus tenha feito a mulher para uma vida não de ócio, mas de uma serenidade maior.
O mercado de trabalho é competitivo, é cruel. Um tem inveja do outro, um quer derrubar o outro.
Nem sempre quem trabalha mais é aquele que recebe a maior recompensa. Existe aquela filosofia podre: “Temos que almoçar fulano para que ele não me jante”.
E os filhos? Onde ficam os filhos?
Babás, creches...Algumas mães aproveitam os momentos livres, que são poucos, para ir malhar, pois precisam estar bonitas, pra não perder os maridos, elas dizem.
E os filhos? Babás, babás...
Leio nos jornais a triste notícia de uma mãe, de quarenta anos, que, após gozar os seis meses de licença maternidade, estava voltando ao trabalho.
De forma alguma quero julgar essa pobre moça. Ela já está sofrendo demais.
Estou apenas tentando analisar os fatos.
Nos jornais, eu vi o carro da moça. É um bom carro. A cadeirinha do bebê, era uma excelente cadeira. O carrinho, lindo. Enfim, não estamos falando de uma favelada, arrimo de família. Estamos falando de uma mulher da classe média.
Voltava ao trabalho...Talvez com a cabeça cheia de planos, ou compromissos, ou pensando no que ia fazer, no retorno. Pensava talvez em se empenhar mais, mostrar mais serviço, etc, etc, etc.
Ela esqueceu o mais importante: esqueceu o seu bem mais precioso.
Ia levar o bebê à creche, e se esqueceu. Deixou lá, o pacotinho, preso no carro e no calor.
Que Deus tenha piedade dessa moça, e que ela se recupere logo, psicologicamente.
E que Deus abra os olhos de outras mulheres.
Mãe, quando você puder, dê um tempo maior para seus filhos.
Lembre-se: um emprego, você sempre vai conseguir outro, mas um filho, esse nada o trará de volta!

.............................................
texto M. das Neves
foto internet
19/11/09

domingo, 15 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Barreiras



Entre a fome
E o manjar,
Tinha o destino

Entre o desejo
E o amor,
Ergueu-se o muro

Entre a água
E a sede,
Viu-se um deserto

Entre a luz
E a janela
Fez-se o escuro

Entre o sonhar
E o fazer,
Pôs-se o vazio


Entre a roupa
E a  nudez
Havia  o frio

Entre o querer
E o ser,
Teve o poder


Entre a escada
e o céu,
Perdi você.

* * *
Poesia de Maria das Neves Alves Braga
2002- direitos registrados
foto internet

Cristalina



Não fingirei
Nem usarei de manobras
Ou palavras evasivas


Perdidas.

Sou clara como a água
De um regato,
É só assim que sei viver


Sofrer.


O bem que te quis
Foram flechas perdidas
E eu, guerreira vencida...


Ferida.



Volto ao meu casulo,
Castelo escuro
Tão triste e real:


Fatal.

* * *
Poesia de M.N.A.Braga ,
2002 - Direitos exclusivos da autora
foto internet

Lua Mulher



Lua Nova,
Quarto crescente;
Timidamente,
Brilhas sozinha.

Lua cheia,
Quarto minguante;
Triste e errante,
Sonhas que és minha!

* * *
Poesia de Maria das Neves
2002- Registrada
foto da internet

Pensando bem...



Nem toda música é samba
Nem toda dança é valsa
Nem toda flor é cheirosa.

Nem toda rua tem poste
Nem todo homem é falso
Nem toda mulher, gostosa.

Nem todo beijo é bom
Nem todo doce apetece
Nem toda chuva é fria.

Nem todo adeus é ruim
Nem todo filme diverte
Nem toda rima é poesia.

* * *
autora: M.N.A.Braga- 2001

O Nazireu



“Sansão! Os filisteus!”
-Gritou Dalila-
Sansão pôs-se em alerta,
Era mentira!


“Sansão! Os filisteus!”
-Ela dizia-
Sansão em volta olhava,
E nada havia!


“Sansão, Estão aqui,
Eles chegaram!”
Mas ele foi dormir...
E o levaram!


* * *
Poesia de M.N.A. Braga
2004- Direitos ®egistrados

terça-feira, 3 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

ALBA




Alba,  obrigada por ser minha seguidora.(Eu faço um pouquinho de chantagem, deixando vocês com peninha, etc e tal, mas adoro isso, e me divirto muito aqui, pode crer!)

Bom, fui pesquisar a origem do seu nome, achei muito legal e resolvi fazer um poeminha procê. Não prometo fazer para todos que porventura me seguirem, afinal a inspiração  nem sempre aparece na hora em que a gente quer.
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Quando a manhã se anuncia,
Vejo a Alba lá no céu;
Luz difusa, que enternece:
Oriente a me guiar.

Alba, vem me clarear!

Surge plena de mistérios...
Róseos raios a brilhar;
A minha aurora desponta:
Vinde, Alba, iluminar!

És o início do dia,
Princípio, origem, começo;
Arcos e  luzes brilhantes
Festejam o teu despertar...

Alba chegou pra alegrar!
...................
Poesia de Maria das Neves Alves Braga
01/11/2009
Todos os direitos protegidos

sábado, 31 de outubro de 2009




Minha doce Lira,
Destino e viver;
Entre a Prosa e o Verso,
Fico com você.

Meiga companheira,
Musa verdadeira,
Na loucura ou siso,
Rimar é preciso.

Amiga sincera,
Nunca me traíste,
Entre o luxo e o escombro,
Prefiro o teu ombro...

Jamais me abandones,
Inspiração tardia...
Entre o Amor e o Adeus,
Escolho a Poesia!
* * *
                                                                   by Maria das Neves-2004

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A nova estética da poesia



Egüinha Pocotó

Vou mandando um beijinho
Pra filhinha e pra vovó
Só não posso esquecer
Da minha egüinha Pocotó
Pocotó pocotó pocotó pocotó
Minha egüinha pocotó
O jumento e o cavalinho
Eles nunca andam só
Quando sai pra passear
Levam a égua Pocotó
Pocotó pocotó pocotó pocotó
Minha egüinha Pocotó

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As mulheres alcançaram a tão sonhada liberdade. Se pensarmos que foi só no século passado que elas adquiriram o direito de votar e alcançaram a liberdade sexual, podemos concluir que houve avanços. Mas e o preço? Foi muito alto.
Até os anos setenta, uma moça “direita” não podia, de jeito nenhum, ter um relacionamento íntimo com um noivo ou namorado. Ela corria o risco de ficar marcada para sempre como uma mulher sem caráter, uma mulher fácil, como se o caráter de alguém coubesse em um espaço tão minúsculo quanto aquele que é ocupado por um hímen. A pessoa se casava às cegas...Ela conhecia o seu futuro marido apenas exteriormente. Mas não sabia como seria sua vida sexual, e qualquer um sabe que a vida sexual é responsável por 50% do sucesso de um casamento.
Hoje a coisa foi para o extremo oposto. De oito foi para oitenta. Mas isso seria assunto para páginas e páginas, e aqui a gente escreve drop’s. Não dá para dissertar em poucas linhas.
Quero apenas falar dessa nova estética do amor, que parece tão estranha a nós, pessoas maduras. Sei que sou lida por pessoas mais maduras, e esses vão me entender melhor.
Eu também cresci ouvindo Nelson Gonçalves cantar “A Deusa da minha rua”. Aliás, ele dizia assim: rrrrrrrrrrua, dando ênfase no “r” . Sou bem mais velha que o colega Agostinho. Sou do tempo de Caetano Veloso, Elis e Beatles. Eu não curtia Nelson, mas sabia  que suas músicas tinham lirismo, e essa letra que Agostinho postou aqui é uma letra-poesia.
A mulher era louvada, endeusada, a mulher era colocada em um altar.
Hoje, o tigrão paquera a tigresa chamando-a de égua, cachorrona, e elas adoram.
A voz de comando nos bailes funks é: “Agora, só as cachorras...” e elas obedecem: “hu, hu, hu hu hu hu...”.
Fica a indagação: nós, os antigos, temos o direito de reclamar, ou corremos o risco de sermos tachados de antiquados e cafonas?Ah, desculpe, cafona é gíria do meu tempo...como se diz agora?
A verdade é: surge agora uma nova estética. Caberá ao tempo provar se ela vai prevalecer, firmar-se e ser uma espécie de modelo padrão, e se os meninos continuarão cantando: “Vem popusuda...” ou se ainda existirão os românticos, aqueles que ainda continuarão cantando: “A deusa da minha rua...”.
A resposta, só o tempo dirá...Mas a nova estética já está aí, para quem quiser ver e ouvir.
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Texto eu mesma-
foto: da internet

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Deusa da Minha Rua


Hoje vou mostrar uma deusa da minha rua fictícia.
Essa  moça da foto é a atriz Bete Davis.
Bete morreu aos 94 anos, e foi uma das maiores atrizes de Hollywood.
Quem  quiser, assista ao filme "A Malvada", onde ela, já aos quarenta anos de idade, dá um show de interpretação. Mas se você quiser ver a Bete novinha, assista ao filme "Jezabel", é um lindo filme no estilo "E o Vento levou".
Existe uma música muito bonita, cujo título é: "Bete Davis Eyes"(os olhos de Bete Davis).
Tá aqui uma estrofe da letra:


Her hair is Harlow gold,
 Seu cabelo é dourado Harlow
Her lips a sweet surprise
 Seus lábios uma doce supresa
Her hands are never cold
Suas mãos nunca estão frias
She's got Bette Davis eyes
 ela tem os olhos da Bette Davis
She'll turn her music on you
 Ela colocará sua música em você
You won't have to think twice
 Você não terá que pensar duas vezes
She's pure as New York snow
 Ela é pura como a neve de Nova Iorque
She got Bette Davis eyes
ela tem os olhos de Bete Davis
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pedi e dar- se-vos-á, buscai e encontrareis..."Mateus, 7:7


Puxa, a Bíblia está mesmo certa. Ontem eu pedi meu décimo quinto leitor e ele veio! Aliás, ela! Angela Guedes, obrigada .
Vou até escrever algo pra você:
..........
Angela lembra anjo,
Anjo lembra céu...
Céu  lembra mar,
Mar lembra Fortaleza...
Fortaleza  lembra beleza,
E beleza me faz pensar
No blog de Angela Guedes!

Angel, está vendo essas duas rosas? Uma delas é para você, a outra é para você entregar  à pessoa mais importante de  sua vida!
Beijão da nova  amiga

Rir desmancha rugas...




Gente, ontem me contaram essa piada e achei engraçada, repasso mais ou menos como foi contada.

                                                 * * *
Um rapaz de boa situação financeira, bonito e legal chegou para o amigo e disse:
“Cara, eu estou diante de um bruta impasse. Conheci três moças bonitas e interessantes mas não conseguia decidir com qual das três  ia ficar. Resolvi fazer um teste e dei para elas uma quantia em dinheiro, pedindo que elas o investissem da melhor maneira possível, e elas, seis meses depois vieram prestar contas: Uma investiu em ações, e o dinheiro não cresceu nem diminuiu. Outra pôs na poupança, e o dinheiro rendeu o de sempre, e a última deixou na conta corrente, mas não gastou com nada, está tudo lá, parado. A pergunta é: Com qual das três eu devo ficar?”
O amigo pensou, pensou, e respondeu, sério:
“Colega, se eu fosse você, ficava com a que tem o traseiro maior “.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Trigo e mel




Querido Diário

Há pouco tempo uma amiga me contava sobre uma conversa que ela teve com o seu marido. Ele disse , entre outras coisas: “Ah, se eu tivesse escutado você! Quando você era pouco mais que uma menina mas já trazia dentro de si uma maturidade e uma sabedoria de vida inatas. Você me ensinava tantas verdades, mas eu era surdo à elas. E hoje vejo que passei pela vida e não vivi, pois levei a minha existência toda admirando meu próprio umbigo, ao invés de usufruir a vida em plenitude, como você tanto almejava”.
Escutei a minha amiga e pensei que as pessoas são assim mesmo. Quando lhes oferecemos o melhor de nós elas pisam e cospem. Mas logo adiante, se lhes oferecem o medíocre, o tolo, o pecaminoso, o torpe, a blasfêmia, a apologia do nada, do lixo, a inversão de valores, se lhe dizem para virar o mundo de pernas pro ar, se lhes ordenam que passem a amar o errado, o falso, eles obedecem, como ovelhas sem personalidade.
Hoje em dia tudo vem em grande quantidade. O medíocre e o biscoito fino, o lixo e a pérola, o verdadeiro e o barato. A maioria vai optar pelo falso brilhante. Não estou generalizando. As exceções existem, mas são as exceções que confirmam a regra...e a regra é essa: vale mais o que brilha mais.
Conheço pessoas idealistas que fazem o que fazem por amor, porque acham que assim poderiam dar a sua contribuição para um mundo melhor. Mas essas pessoas também se cansam um dia. E até o idealismo morre, debaixo de tanta maldade e indiferença. As vezes você planta uma rosa em seu jardim. A rosa é perfumada e verdadeira. O seu olor é genuíno, o seu perfume é inimitável. Mas pegam sua rosa, e lá adiante ela surge feita de plástico grosseiro, sem perfume. É fácil perceber que é uma cópia barata, mas é a outra rosa, a de plástico, essa é a que recebe elogios, incentivos, setenta, oitenta pessoas passam e dizem: “sua rosa é bela, é única, está acima de qualquer uma! A sua rosa sim, é que é linda”!
Às vezes eles criam uma rosa de plástico falsa, jogam por cima um perfume barato, e desejam que você, como uma abelha enganada, apareça lá e faça a função da abelha, fecundando as plantas...Eles estão tão acostumados a ganhar sempre que dizem: vamos jogar um pouco de mel, a abelha aparece, faz o trabalho e a gente só colhe os louros!
Você que foi jardineiro fiel e zelou por sua rosa, desde à semente, sente-se fracassado, mesmo sabendo que aquilo que você vê recebendo mil elogios não é verdadeiro...Que existe uma mentira rondando tudo, como leão bravio! Mas você sabe que será inútil lutar, pois a batalha já está perdida, e mais uma vez o mal prevaleceu. São feras à solta, feras impunes, que continuarão a praticar suas maldades sem limite.
Consigo apenas invocar a palavra de Deus e dizer, como o salmista Davi:
“Que é o homem mortal para que te lembre deles? E o filho do homem, para que o visites?” Sl 8.4.
E Jó disse: “Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele teu coração, e a cada manhã o visites, e a cada momento o proves?” Jó 7.17,18.
No livro de Oséias Deus fala ao coração do seu povo:
“Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento.” Os 11.4.
Um salmo de Asafe, o 81.13-16, diz:
“Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos! Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversários. Os que odeiam ao Senhor ter-se-lhe-iam sujeitado, e o seu tempo seria eterno. E o sustentaria com o trigo mais fino, e o fartaria com o mel saído da rocha".
Infelizmente, a humanidade diante da paz, prefere a angústia.
Diante do amor, preferem o tédio. Diante do ouro, optam pelo lixo.
Quantas vezes eu me sinto assim, e sei que muitos também sentem o mesmo: oferecendo mel e trigo, e vendo nossos tesouros desprezados!
           ..................
by Ignoto Jardim 19/10/2009

domingo, 18 de outubro de 2009

O mundo e os "mano"

Gente, tenho falado tanto de adolescentes aqui que vão dizer que sou uma bruxa amarga que odeia a juventude. Nada disso! Eu até que aprecio eles. Bom...Tenho uma sobrinha mãe de adolescentes, e ela diz: “Adoro adolescentes, cozidos ou fritos”. Mas é brincadeirinha, essa minha sobrinha dá a vida pelos filhos, e tem a maior paciência com os amiguinhos deles.
Eu hoje me lembrei de quando eu também tinha a minha casa habitada por três adolescentes. Duas meninas e um menino. Era bem legal.
Naquele tempo a minha casa sempre recebia um ou dois deles, por dia. Eu fazia bolo todos os dias. E sopa também. Descobri, naquele tempo, que sopa é ótimo pra ajudar a matar a fome de adolescente. Era só uma filha me avisar: “Mãe, a fulana vai ficar pra jantar” e eu corria pra fazer sopa. Depois da sopa eu servia cachorro quente, ou hamburger, ou sanduíche, mas a sopa vinha na frente, pra tirar a fome deles. A gente aprende a lutar com as armas que tem, não é mesmo?
O telefone estava sempre ocupado. As minhas filhas chegavam ao cúmulo de lancharem, deitadas no tapete da sala, ouvindo a amiga falar, do outro lada da linha
Às vezes ela ficava muito tempo em silêncio e eu perguntava: “Por que está tão quieta, ao telefone?” e então minha filha respondia: “A minha amiga também está lanchando...”.
Era assim mesmo, lanchar ao telefone, pode? Com adolescente pode sim.
Quando conversavam, os papos eram mais ou menos assim:
- Hã???
................
- E daí?
..................
Nossa! Conta mais!
.........
Não acredito!
..............
E ele?
..........................
E ela?
.....................
Você disse?
.........................
Ele disse?
........................
Hã????
......................
Como assim?
.......................
Foram lindos tempos. Morro de saudades. Dava trabalho. Conviver com adolescente não é fácil. Eles não se entendem e não nos entendem, não sabem o que querem, não compreendem o próprio corpo. As meninas se acham altas demais, baixas demais, gordas demais, magras demais. Se têm cabelos cacheados choram por que querem morrer, mas se os têm lisos recusam-se a ir à festinha pois os cabelos não seguram nada, nem uma fivela!
Outro dia eu estava olhando, junto com minha filha mais velha, as fotos do dia em que o hoje marido dela, então com dezessete anos - yes, meu genro era um gênio...rs rs rs - recebeu o seu espadim, como aluno ingressante na Academia. A festa teve duas cerimônias: pela manhã, a entrega dos espadins, e à noite o baile solene, com as mulheres vestidas de longo e as meninas-namoradas vestidas de gente grande.
A minha filhota, então com quinze anos, era bastante alta: já na época ela estava com os mesmos 1,74 que tem hoje. Depois de mil idas à costureira, optamos por duas roupas que estavam no auge da moda, na época: pela manhã ela usou um vestido de renda e cetim, cor de rosa, cabelos longos e soltos, repletos de cachos negros. Ela estava linda. À noite, no baile solene, optamos por um vestido de renda, azul cobalto. O vestido descia reto,tinha o corpo drapeado, e na altura dos joelhos ele se abria em um babado godê e amplo. Usou sapatos de salto, e uma flor negra nos cabelos presos. Ficou linda, mesmo parecendo mais velha, mas afinal, ela mesma escolheu o modelo. Antes de sair para o baile, uma pequena cena de estresse:ela odiou o penteado, entrou debaixo do chuveiro e lá se foi o dinheiro da cabeleireira pelo ralo, assim como a maquiagem, que havia sido feita no salão.
Foi à festa com os cabelos soltos, cacheados, e com uma leve maquiagem que eu fiz, e recebeu muitos elogios, na época.
As fotos estão no álbum, e no filme da cerimônia, e não me deixam mentir. Pois bem, revendo o filme, outro dia a minha filha se saiu com essa: “Que horror, mãe! De manhã a senhora me vestiu de Barbie, e à noite me fez uma bailarina espanhola, de trinta anos!’.
Viu só? Ela me disse exatamente o que havia pensado naquele dia, mas não teve coragem de falar, pois sabia que eu apenas tinha seguido o que ela quisera comprar.
Estou errada? Ser mãe é padecer no paraíso!
A gente sofre, mas que é bom, ah, isso é bom!
Filhotas e filho, amo vocês! Sem vocês a minha vida seria um barco à deriva.Vocês são o meu porto seguro. Obrigada. E Drika, desculpe pelo vestido azul, de bailarina espanhola, tá? Para mim, você é bonita de qualquer jeito.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sessão Dinossauro


Só Saudade...

O nome dessa coisa era "Vespa", não sei se ainda existe; e o carinha da foto é meu marido, quando éramos recém-casados...A foto foi batida por mim, com uma Kodak que parecia um cubo. Dei a nossa Kodak para minha filhinha mais velha brincar, quando comprei uma máquina mais "moderna". Há pouco tempo vi uma igualzinha, servindo de decoração em uma casa, fiquei com pena de ter jogado fora nossa Kodak.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Os Hedonistas




Tenho um colega que dá aulas na mesma escola onde trabalho. Ele passa a semana inteira falando: “Faltam cinco dias para chegar sexta-feira e eu comer a minha picanha assada, junto com a cerva super gelada”. "Faltam quatros dias para chegar sexta-feira e...” .Faltam três dias para...”.
Na segunda - feira, infalivelmente eu pergunto: “E aí? Tu foi no Bisteca de Ouro e comeste a bendita picanha? E ele responde:”Sim, agora só faltam cinco dias para eu ir de novo comer a minha ...”.
Outro dia esse meu amigo estava bravo. Ele disse que encontrou com um rapaz de uns vinte anos, ex aluno dele. O rapaz parou para conversar, e meu amigo fez algumas perguntas. Aquele papo fático de sempre (atenção: fático é o oposto de enfático). “Tudo bem? E a vida? Você está na faculdade? “Bla, bla, bla.
O meu amigo me contou, muito bravo, que enquanto ele falava, o rapaz fazia trejeitos, mexia com a cabeça de um lado para o outro, balançava o corpo como se estivesse com a doença de São Guido, e cantava uma música em um pretenso inglês. O meu amigo pensou que o rapaz havia pirado, aí ele notou que o talzinho tinha um aparelhinho microscópico, enfiado dentro do ouvido, de onde saia a tal música, e que, enquanto conversava com o ex professor, o menino também estava cantando, acompanhando a música, em inglês, e dançando, para não perder tempo, é claro, afinal, a vida passa depressa.
Meu amigo diz que ficou P... de raiva, falou tchau e saiu.
Puxa vida - ele desabafou - o garoto não se desligou do seu mundo nem mesmo por um segundo, enquanto falava comigo.
Eu disse “É assim mesmo, colega, a juventude está cada vez mais voltada para si mesma, vivemos em uma sociedade hedonista, cultuar o “eu” está cada vez mais em evidência”.
O meu amigo respondeu: “Lá vem você, com esse seu linguajar de poeta! Fala em linguagem de gente, mulher, que eu quero entender”. Eu disse “Não enche o saco, Pedro, vai comer picanha com cerva gelada, vai”. E ele me respondeu, rindo: “Mas é isso mesmo que eu vou fazer!Ainda bem que hoje é quinta-feira e só falta um dia para eu comer a minha picanha assada e beber cerva gelada!”.
....................
By Ignoto Jardim – eu mesma


O meu poeta não grita
O meu poeta sussurra
Curvado sobre o meu rosto
Lapidando a neve pura
Que forma cristais de prata



O meu poeta de cílios
Curvos como a cimitarra
E cabelos cor de ébano
Desenhou sobre o meu peito
Um mandarim e sua espada



O meu poeta errante
Capturou a esperança
E espargiu nos meus cabelos...
O meu poeta só ele
Vale pelo mundo inteiro.
* * *
Poema by Maria das Neves- 2005

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Hoje é dia do Professor. Bem pouco a comemorar. Aliás, nada a comemorar.
 A sociedade cobra de nós acima de nossas forças, e o governo nada nos dá em troca. A nossa função primordial é dar instrução acadêmica, levar-lhes conhecimento. Educação é função dos pais. Mas exigem de nós que sejamos formadores de caráter, que passemos conceitos e normas de ética, estética e política. Querem que sejamos pouco menos que deuses. Salários congelados, projetos educacionais à mercê das mudanças no poder, vista grossa às nossas necessidades.
 Recebo hoje, quatro reais de vale-refeição por dia. Quem pode sobreviver com quatro reais de comida por dia? Chamamos isso de vale coxinha, ou vale pipoca.
O governo andou espalhando que ia subsidiar computadores para nós. Fui correndo me inscrever. Caí de costas com o preço: mil e setecentos reais! Preço de loja, governador! Preço de loja!
Hoje o magistério público está de luto. Nada há a ser comemorado.
Prestes a me aposentar, depois de uma vida toda dentro de salas de aula, eu, por motivo de saúde, estou fora da sala. Atuo agora como bibliotecária, por ordem médica.
Ontem fui procurada por um aluno, de uns dezesseis anos.
- A professora mandou pegar dez livros de conto.
-Que professora?
-Sei não, aquela uma.
-Aquela uma não é nome...
-Aquela lá, meu. Aquela dona que dá aula de português.
-Mas você não sabe o nome da sua professora?
-Ih, sei não, dona! São tantas que esqueci.
- Olhe, eu respondo por esses livros. Não posso lhe entregar dez livros sem saber quem vai estar responsável pela devolução dos mesmos...a não ser que você os queira retirar em seu nome!
-Eu não, dona! A galera perde os livros, larga no pátio, pelo chão.
-Então, meu anjo, por favor volte lá na sala e peça que sua professora escreva um bilhete datado e assinado, dizendo quantos livros ela necessita.
-Xi! A dona lá vai ficar brava, ela tá ocupada, passando lição e a classe hoje tá bagunçando muito.
-Sinto muito, mas só vou liberar os livros com um bilhete da professora.
Pouco depois ele retornou.
-Tá aqui o bilhete, dona. ( Ele também não sabe o meu nome).
 Mostrei ao garoto o nome da professora:
-Vê se agora você não se esquece do nome da sua professora, que está lhe dando aulas desde fevereiro deste ano!
-Hi, não vou lembrar não, dona! São “muito professor”. (sic).
Se eles não guardam nem os nossos nomes, como guardar o que lhes ensinamos?
                               * * *
(foto da internet)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009



"Caminhando contra o vento
Sem lenço sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou..."
     * * *
(Alegria, alegria, Caetano Veloso)

domingo, 11 de outubro de 2009

Confissões de uma Professora




É o seguinte, doutor: Eu vim aqui porque não durmo bem, acordo no meio da noite transpirando muito, tenho que tomar uma chuveirada, trocar a roupa do corpo e as fronhas do travesseiro... Pego finalmente no sono mas aí o despertador toca com aquele som irritante e já é hora de levantar.
Meu trabalho? Ah, eu adorava o meu trabalho, sempre quis ser professora. Comecei a dar aulas com dezessete anos, trabalhando de graça, no projeto MOBRAL, lembra? Ah, tá, o senhor é muito jovem, não alcançou o MOBRAL. Era um projeto do governo militar, diziam que iam acabar com o analfabetismo no Brasil.
Se acabou? Que nada, doutor. O Brasil ainda está analfabeto, agora está pior, temos os analfabetos funcionais, que são aqueles analfabetos mascarados pelos dados estatísticos, entende?
Por que ando desanimada com meu trabalho? Ah, o senhor não faz idéia. A educação está sucateada, abandonada, corroída pelo descaso de vários governos. Sabe doutor, tudo começou com o tal ECA, que delegou todos os poderes às crianças e adolescentes,e depois houve o tiro de misericórdia, quando a dona Rose Neubauer, então secretária da educação, junto com o falecido Mário Covas instituiu a malfadada Progressão Continuada, que nós chamamos de Aprovação automática, lei absurda onde o aluno não pode repetir o ano escolar, para não ficar com marcas de traumas indeléveis na alma!
Ah, doutor, o senhor já ouviu falar nisso?
Pois é, agora aluno não repete mais de ano, vai sendo promovido, promovido, promovido, até sair da escola com um certificado de Ensino Médio na mão e muitos deles sem saber preencher corretamente a ficha de inscrição ao exame de vestibular .
Ah doutor, acredite, esse salário que o governo publica não faz jus ao que de fato ocorre. Não ganhamos isso que ele afirma, não e não. Saiba o senhor que ganho, por dia, o mesmo que a moça que me ajuda uma vez por semana, nos trabalhos mais pesados. Ganhamos a mesma coisa. Só que eu, doutor, investi muito dinheiro em minha formação profissional. Fiz dois cursos superiores, faço dezenas de cursos de capacitação, para estar em dia com as diversas correntes que a secretaria segue, ao prazer dos ventos e dos diversos governos. Sabe como é: mudam os governantes, muda a corrente das águas. Houve um governador cuja esposa tinha uma coisa com as filosofias orientais, então nós tivemos que aprender o tal do Lian Chi, era uma coisa, doutor, todo mundo nas escolas fazendo os movimentos do Lian Chi, com musiquinha chinesa ao fundo...Mudou de governador, o Lian Chi sumiu do currículo. Tá...
Antes,doutor, diziam que a escola precisava de gestão democrática, e nós mesmas montávamos o currículo e o plano pedagógico anual que seria seguido pela escola, tudo dentro da LDB, lei de diretrizes e bases do ensino. Eu gostava sabe, doutor, pois ninguém melhor do que o professor para saber a quantas anda seu alunado. Mas aí o novo governador instituiu os chamados cadernos do professor, e tudo vem pronto e mastigadinho da secretaria. Ai, doutor, são apostilas que não acabam mais! E tem mais: os cadernos são elaborados dentro de uma utopia alucinante: todos os dias vejo professores se descabelando pois o currículo que é proposto, e já vem pronto, está a anos-luz de distância daquilo que os alunos de fato possuem de pré requisitos. Eles estão sempre defasados em relação à matéria que deve ser ministrada no bimestre. Mas ninguém avisa o governo, o rei está nu, pelado, com a mão no bolso, e ninguém avisa.
O professor? Ah, doutor, ele é a parte mais baixa da pirâmide, o professor não é escutado nem pode dar palpite. Ele cumpre ordens, como abelhas operárias.
Ah, o senhor também ouviu falar que agora o professor vai poder quadruplicar seu salário, no decorrer de vinte anos? Kia kia kia kia kia!!!!!!!!!!!!
Nada disso, doutor, é mais uma falácia. Veja: isso só vai funcionar para os jovens que estão ingressando agora, se é que ainda vai existir a profissão docente. Vou tentar dizer em poucas palavras, doctor: para alcançar uma evolução, o professor deve aguardar um interstício de três, quatro e cinco anos. Ele terá que ser aprovado em uma prova dificílima, mesmo já sendo concursado e efetivado no cargo...Ai, ele tem que tirar uma nota acima de 6; e então, ele vai entrar em uma fila, pois apenas 20% do efetivo escolar será promovido. Se eu não estiver nesse universo de 20% , bye bye.
Mas, porém, contudo, todavia, doctor, isso não me garante a evolução funcional, ainda.
O senhor não entendeu? Explico: para fazer jus a esse “direito” eu não devo ter dado nenhuma falta, no ano anterior. Não posso, por exemplo, ficar doente; falta médica é punida; também não poderia dar minhas seis faltas abonadas, que a lei me faculta, e pasme doctor: eu terei que abrir mão da minha licença prêmio, que é justamente o prêmio que recebo, a cada cinco anos, se não der mais que as faltas permitidas por lei. Ou seja: devo virar um robô japonês, viu doctor?
Nunca mais na vida poderei faltar a uma aula, ou perderei o direito de evoluir profissionalmente, mesmo me matando de estudar e sendo aprovada nos muitos concursos que seremos obrigadas a prestar.
Doctor: mês passado eu fui submetida a um cateterismo...portanto, já estou com minha ficha suja, diante do aqui exposto. Não posso adoecer, entendeu doutor?? Falta médica é punida! Juro que não estou mentindo.
Ah, os coitados dos inativos, aqueles que educaram metade da nação, e podem enfim, gozar de merecida aposentadoria, esses também foram discriminados na nova lei, e ficarão de fora da tal evolução meritocrática! Yes, o governador foi aprender isso lá nos States, e vai implantar aqui a tal meritocracia! O funcionário só terá aumento em seus proventos por mérito!
Então eu pergunto: os nossos governantes também receberão seus proventos estratosféricos baseados na meritocracia? Eles ganharão por mérito? Por dia trabalhado? Por projetos relevantes apresentados e votados? Não??Há tá...Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa? Entendi...
Como é que é, doutor? O senhor não vai me receitar um remedinho? Nada? Eu não estou doente? Ah, sei...o que eu preciso é mudar de profissão? Mas isso eu não posso, doctor. A vida inteira eu fui professora, não saberia fazer outra coisa, estudei a vida toda pra isso, gastei rios de dinheiro em duas faculdades, e estou velha demais para trabalhar em banco. Ah, modelo, manequim atriz e ex big brother também não posso, falta-me pré requisitos. Escritora de livros infantis? Já tentei, doutor, escrevi um monte deles, as editoras nem me respondem, quando envio para avaliação.
Dia 15 os meus colegas vão promover o dia do nu pedagógico, estou pensando em não aderir, tô com medo da polícia, enfim, não tenho mais idade e saúde pra apanhar de cassetete.
Ah, doutor, eu da missa, não lhe contei nem um terço!
Como? Meu caso não tem jeito??
Doutor, o senhor tem um eletrochoquezinho básico pra mim aí, por favor?
                       * * *
Texto de Ignoto Jardim - 05 /10/09
foto colhida na Internet

sábado, 10 de outubro de 2009

PAPO FURADO





Querido Diário.


Hoje cedo eu fiz minha caminhada, e resolvi mudar de rua, para me distrair. Passei em frente a uma floricultura e vi uma planta linda, cheia de folhinhas em dois tons de verde. Ao chegar em casa peguei o carro e voltei na loja, para comprar. Eu havia pedido para a dona da floricultura separar o vaso, e avisei que voltaria mais tarde para buscar a planta e pagar. Ela fez uma cara de: “essa aí não volta mais, perdi meu tempo”. Saí de lá rindo com meus botões, eu pensei “essa mulher vai se espantar quando eu voltar para pegar a planta, as pessoas mentem tanto que ela pensa que vou lhe dar o cano”.
Ela ficou toda feliz porque voltei e comprei a plantinha. Enfim, vai enfeitar meu jardinzinho. Mas o que eu podia fazer? Saí para caminhar, não levei dinheiro. A planta foi o elemento surpresa que não estava nos meus planos. Ultimamente tenho caminhado na esteira, no clube. Ando com medo de assaltos. Mas hoje eu queria sentir o sol, o vento, ver as árvores, as pessoas. Puxa vida, até isso está ficando difícil. Hoje mesmo enquanto eu caminhava vi quatro rapazes que vinham em minha direção. Um deles segurava um serrote nas mãos. Comecei a pensar coisas; e se eles me assaltassem? Por alguns breves minutos fui tomada por uma sensação de pânico: eu não tinha um centavo furado no bolso, se eles exigissem dinheiro em tava perdida. Uma mulher também ia caminhando a uns vinte metros na minha frente, e deve também ter ficado com medo, pois atravessou a avenida. Eu imitei a mulher e passei para o outro lado. Depois pensei: que mundo é esse? Agora temos medo quando vemos homens andando em grupo?
No período da tarde fui trabalhar. Tivemos uma pausa de quinze dias no inicio das aulas, na volta do recesso de julho, por causa da gripe suína, e estamos repondo aulas atrasadas. Hoje, alguém lançou uma pedra por cima do muro da escola, e atingiu o carro da minha amiga Mirian, que estava no estacionamento. Fiquei com muita pena dela, pois o carro é novo, chegou esta semana da loja. Não sabemos quem atirou a pedra. Se o dano for considerado pequeno, o seguro não vai cobrir, mas acaba que será um dano grande para o bolso dela. Que vida! Além de ir trabalhar aos sábados, ter o carro avariado por um malandro qualquer. A Mirian é uma pessoa tão doce e meiga! Às vezes vamos ver balé e teatro juntas, pois o marido dela é igualzinho ao meu: não gosta de ir ao teatro, fica com claustrofobia. Às vezes temos peças de teatro ou espetáculos de balé por cinco reais a entrada. Só não vai quem não quer.
Aqui acontecem coisas engraçadas: o famoso cantor Daniel adora minha cidade, ele vem muito para essas bandas. Outro dia, era um sábado, eu passei na pracinha e vi o próprio, dando milho para os pombos. De bonezinho, calça jeans, parecia um ser mortal, como todos nós. Fiquei pensando: Se ele dá de cara com um bando de fãs, já, já ele sai daqui! Mas ninguém tava mexendo com ele, acho que não perceberam que era ele, ali, tão humano como outro qualquer.
Bom, hoje é aniversário do tio do meu marido. Ele está fazendo 83 anos. É um senhor muito bonito, elegante e bem disposto. Anda a pé pela cidade toda. Depois eu irei lá, levar um presentinho para ele. Mas hoje eu não fui, meu marido foi sozinho. Fiquei em casa descansando e esperando meus netos chegarem do passeio, para falarem comigo ao telefone. O meu neto de onze anos já é um homenzinho, tivemos altos papos. Já a caçula de cinco anos é ainda um xodózinho. Ela me contou que ganhou um bercinho para a boneca. A minha filha me disse que a boneca é enorme, então o berço parece de verdade, e é de madeira, todo laqueado. A minha neta me disse: “Vó, amanhã você venha aqui, ver o bercinho da minha boneca”.
Simples assim, “venha aqui manhã”, só que ela não sabe que estou a 900 quilômetros de distância. Ah, se as coisas fossem assim, tão fáceis como parecem às crianças.
Ah, hoje foi meu dia de sorte, ganhei três leitores novos, aqui no blog.
E por hoje é só, diário querido.



Muito além dessa janela
Mora um sonho encantado

Existe um mundo à parte,
De ouro e flores salpicado.

Um cupido que espera
O amor a qualquer hora

Mas se o amor não aparece
Ele nunca vai embora.

Fico aqui imaginando
Que a vida pulsa lá fora

A cristalina vidraça
Reflete a vida tão bela

As rosas e os passarinhos
Louvando a primavera.

O sol lançando seus raios
Transpôs a cortina clara

Morno e radioso astro
Visitando a minha sala.

Debrucei-me na sacada,
Olhei o jardim dourado

Parecia um presente
De um deus apaixonado

Pensei que estava diante
Da real felicidade:

Contemplar algo tão belo,
É bom, em qualquer idade!
* * *
Poesia by Maria das Neves - 10/10/09
Inspirada em foto do Ney, do Blog:


Mel, ou Melzita, para os íntimos, no colo da minha nora.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009




Não meu, não meu é quando escrevo.
A quem o devo?
De quem sou o arauto nada?
Por que, enganado,
Julguei ser meu o que era meu?
Que outro mo deu?
Mas, seja como for, se a sorte
For eu ser morte
De uma outra vida que em mim vive,
Eu, o que estive
Em ilusão toda esta vida aparecida,
Sou grato Ao que do pó que sou
Me levantou.
(E me fez nuvem um momento
De pensamento)
(Ao de quem sou, erguido pó,
símbolo só)
* * *
Fernando Pessoa in Alberto Caeiro

Falando de inspiração

Aquilo que escrevo já existia em mim. Está em mim, e veio-me através dos tempos. Sou uma somatória das minhas vivências, das minhas experiências, da minha infância, meus pais, minhas irmãs, meus mestres, minha igreja, meus amigos. As leituras que fiz estão em mim impregnadas. Nem por isso eu vou sair por aí copiando quem quer que seja. Não, não se trata disso. Apenas os nossos textos, mesmo que não o saibamos, eles dialogam com milhares de outros textos que passaram por nossas vidas. Quer seja através de nossas próprias leituras, quer seja através do impacto que causaram em nossos amigos e familiares, que sofreram influência daqueles textos, mudaram sua maneira de pensar e de ver o mundo e se transformaram nas pessoas que são hoje. Assim, as influências que sofremos das pessoas que passaram por nossas vidas também são frutos de vivências e leituras. Percebem que é tudo uma grande magia e um infinito mistério?

Eu já escrevi vários poemas falando de mim mesma. São poemas únicos, pois eu arranjei as palavras de uma maneira só minha, e usei o meu estilo. Mas não posso querer que apenas eu tenha feito um poema sobre mim mesma. Inúmeros outros poetas já escreveram sobre si mesmos!
Aqui mesmo neste blog tem um poema no qual falo de mim. Começa assim: “Em certos momentos, igual corda e vibrante ao toque do vento, Sou pura emoção...”.
Alguém pode dizer: Ela está querendo dar uma de Cecília Meireles, que escreveu: “Eu não tinha este rosto assim triste...”. mas aí, outro poderá dizer: Cecília quis imitar Bocage, que escreveu:
” Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno...”

E vai por aí.
Lá no meu outro blog certo dia eu publiquei um poema, um dos vários poemas, que escrevi para o meu pai. No mesmo dia uma pessoa me escreveu dizendo que naquele dia mesmo ela havia publicado um poema para o pai dela...Mas essa pessoa escreveu de um jeito como se dissesse que eu havia copiado a idéia dela...Eu poderia ter-lhe respondido algo, mas nem me dei ao trabalho. Ora meu Deus, quantas pessoas no mundo escrevem homenageando seus pais! Querer ser dono do poema tudo bem, mas querer ser dono dá intenção de um poema!
No entanto ninguém abordou esse assunto de maneira tão maravilhosa como o fez Fernando Pessoa. No poema que lemos aqui ele fala exatamente disso: ele, na pele de Alberto Caeiro, diz, de uma maneira incrivelmente magnífica que, mesmo ele, Fernando Pessoa, era também a soma de suas leituras. E ele diz, humildemente: “De quem sou o arauto nada?”E mais adiante: “Sou grato ao que do pó que sou me lenvantou”.
Evoé, Fernando Pessoa. Mesmo sendo um poeta plural, você foi único e singular!
        * * *
Ignoto Jardim


Eu me escondo e apareço,
Me recordo e me esqueço;
Procuro através do muro
Raio de sol, claridade:
O muro reforça o escuro.

Relembro as águas que correm,
Fluem a caminho do mar:
Rio, leva-me contigo,
(Eu rio só de pensar...)
Sonhando em rever o mar.

Se navegar é preciso,
Antes, quero navegar
Ao invés de olhar um muro,
Concreto frio e duro,
Que me impede ver o mar.

E me ponho a sonhar;
Meu delirar é conciso,
Alegria além do riso,
Fácil de imaginar:
Um barco, um remo e o mar!
* * *
Poema by Maria das Neves
foto: Internet

terça-feira, 6 de outubro de 2009




Perdi-me  dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim...
              * * *
(Mário de Sá - Carneiro)
foto Internet

Mais uma vez, com emoção...





Olha lá, ela de novo!
Esperando o seu momento...
Olha só como ela fica,
Recolhendo o seu lamento!

Olha as marcas na areia
Que ela deixa ao caminhar;
Voa livre o pensamento
Da poeta sonhadora,
Decifrando a voz do Vento!
* * *
Poesia by M. das Neves  - 2001
foto da internet